terça-feira, 10 de novembro de 2009

Futebol Recordação: Flamengo campeão brasileiro de 1983


E aqui no Pitacos do Bodaum o Flamengo segue soberano. Agora ele empata com o Internacional. Para cada clube, são três postagens sobre título de campeão brasileiro.

E para refrescar a memória da galera, em todos esses post’s já falamos sobre superlotação de campeonatos com edições em que o Governo Militar impôs a presença de alguns clubes; já falamos também do momento em que o Inter de Porto Alegre foi o time sensação do país e falamos também da invasão da torcida corinthiana numa semifinal contra o Fluminense em pleno Maracanã.

Tudo isso e muito mais, é fácil de você conferir e passar a ficar sabendo. Basta acompanhar as postagens do Futebol Recordação e você se tornará um expert quando o assunto for acontecimentos antigos do Campeonato Brasileiro.

Flamengo, campeão brasileiro de 1983


Nos últimos três anos, campeão do mundo, duas vezes campeão brasileiro e um time que na verdade era uma seleção. Desde as categorias de base até os profissionais jogando o fino do futebol. Encantando e mostrando um lado romântico e particular de como o futebol poderia ser praticado.

O Mengão entrou pra disputa em 1983 como o franco favorito. Mas as coisas foram caminhando numa força paralela. Enquanto o Fla mais uma vez atropelava todo mundo durante a competição, Zico, o Deus rubro-negro, acertaria uma transferência para a Itália. Já durante as finais, isso viria à tona. Então, ao mesmo tempo em que a Nação esperava por mais um título, ela também sabia que seria obrigada a encarar uma despedida dolorosa.

O grande craque que agitou o início da década de 80 fazendo do Clube de Regatas do Flamengo, um clube vencedor no Rio de Janeiro, se tornar uma potência mundial, iria sair do seu time para ganhar o mundo no futebol europeu, mais precisamente na Udinese. Muita alegria e muita tristeza marcariam o final da temporada para o torcedor flamenguista.

Fatos curiosos

Pela terceira vez um clube conquistava um bicampeonato (dois anos seguidos). Antes do Mengão fazer a dobradinha 82-83, a marca do bi já havia sido feita por Palmeiras e Internacional.

O número de participantes continuava o mesmo dos anos anteriores: 44.

E a fórmula não sofreu mudanças profundas. Grande parte foi mantida. Mas o que tivemos de novo foi a criação de uma terceira fase de grupos antes dos jogos finais.

Novamente os quatro primeiros da primeira fase da Taça de Prata (segunda divisão), garantiriam acesso a segunda fase da Taça de Ouro (primeira divisão).

Em 1981 e 1982 a definição de participantes levava em conta o resultado final dos campeonatos estudais. Porém em 83 abriu-se um parênteses. O Santos, vice-campeão do ano anterior, terminaria o Paulistão da temporada em questão apenas em oitavo. Com isso, pelo regulamento ele deveria disputar a primeira fase da Taça de Prata. Mas foi gentilmente convidado pela CBF para começar o certame nacional na elite.

Regulamento

A primeira fase tinha 40 clubes divididos em oito grupos de cinco times cada. Em turno e returno, se classificavam os líderes, vice-líderes e terceiros colocados. O quarto de cada chave jogaria a repescagem.

Na repescagem, temos oito times sendo divididos em quatro confrontos. O vencedor de cada passaria adiante no torneio.

Na segunda fase, temos 24 classificados diretamente e mais quatro vindos da repescagem e ainda os quatro líderes da primeira fase da Taça de Prata. Formaram oito grupos de quatro times cada. Em turno e returno, se classificavam os dois líderes de cada grupo.

Já na terceira fase, restavam 16 clubes. Estes foram divididos em 4 agrupamento com 4 times em cada. Passavam para os quartas-de-final os líderes e vice-líderes de cada grupo.

Na fase final tínhamos quartas-de-final, semifinais e final. Eram jogos de ida e volta com o time de melhor campanha tendo o direito a mando de campo na segunda partida.

A grande final – Pancadaria no segundo jogo.


Primeiro jogo da final num Morumbi lotado. Eram incríveis 114.481 torcedores se apertando nas dependências do estádio são paulino. Apesar da torcida santista ser ampla maioria, a presença rubro-negra também foi bastante notável. Em vão...

No jogo só deu Santos. O primeiro tempo foi todo dos paulistas que pressionaram, mas foram para o intervalo com apenas 1x0 no placar, gol de Pita. No segundo tempo, aos 18 minutos, Serginho Chulapa aumentou a vantagem. Festa no estádio. Os torcedores acreditavam no que parecia difícil: bater o tão temido time do Flamengo.

Com tanta empolgação por parte dos alvinegros, os cariocas se aproveitaram para diminuir num contra-ataque fulminante. Baltazar (que chegara ao time naquele ano para substituir Nunes) foi o autor do gol.

Segundo jogo no Maracanã. Duas certezas de cada lado. O time liderado por Chulapa, artilheiro da competição, chegava para sacramentar o título em cima do time sensação do Brasil. O time comandado por Zico, que dava seu adeus da Gávea, não queria apenas desfazer a vantagem do adversário, mas sim devolver o baile que havia tomado em São Paulo.

Com 40 segundos de jogo, Júnior chutou uma bola forte. Marolla rebateu deixando rebote para Zico, que marcou o primeiro gol. A partir daí, o Santos tentava na base da individualidade equilibrar a partira para tentar empatar o placar. Mas o Flamengo inflamou a sua galera, que comparecia num número recorde para final, 155.523 pessoas. Partindo pra cima com tudo, o Fla ampliou aos 39 da primeira etapa com gol de cabeça do lateral Leandro, após cobrança de falta de Zico.

No segundo tempo o Peixe não quis saber de mais nada e partiu pra cima quase que de forma irresponsável. Abusando de deixar espaço pro Mengão, Robertinho pegou uma bola e deu uma arrancada estupenda pela direita, chegou a linha de fundo e cruzou na cabeça de Adílio, 3x0 pro Fla.

Com o resultado, conforme chegava o final do jogo, repórteres, fotógrafos, profissionais do Flamengo e do Maracanã se amontoavam na beirada do campo. Nas cobranças de laterais santistas começava a acontecer muita reclamação, pois os jogadores alegavam que aquela multidão atrapalhava o prosseguimento do jogo.

Já perto do término da partida, o Santos tinha uma lateral pra cobrar, mas segundo seus jogadores, um dos fotógrafos escondeu a bola. Como eles já estavam nervosos com toda aquela bagunça, além de estarem perdendo, partiram pra cima daquele pessoal que estavam na beirada do campo. Socos, chutes, xingamentos, empurrões e até mesmo cusparadas no rosto foi possível se observar, tanto do lado dos jogadores do time paulista, como dos jornalistas cariocas na beirada do campo formando uma pancadaria generalizada. Fato lamentável.

Bem distante dessa confusão, os jogadores do Fla esperaram o apito final para comemorar, junto do mar de torcedores presentes, o seu terceiro título de campeão brasileiro. Depois de uma pancadaria, festa total no Maraca!!!

Dados do jogo final

Flamengo 3x0 Santos
Local: Maracanã (RJ)
Juiz: Arnaldo César Coelho
Renda: CR$ 168.700.000,00
Público: 155.253 espectadores

Flamengo


Em pé: Bigu, Raul, Mozer, Marinho, Leandro e Júnior;
Agachados: Élder, Adílio, Baltazar, Zico e Júlio Cesar.

Santos: Marola; Toninho Oliveira, Joãozinho, Toninho Carlos e Gilberto; Toninho Silva (Serginho II), Paulo Isidoro e Pita; Camargo (Paulinho Batistote), Serginho e João Paulo
Técnico: Formiga

Campanha do Campeão

Em 26 jogos, foram 14 triunfos, 7 jogos em igualdade e 5 resultados negativos. Os gols marcados foram 57 e os sofridos 30.

Jogadores que fizeram parte da campanha

Goleiro: Cantarele, Luiz Alberto e Raul
Laterais: Adalberto, Ademar, Cocada, Junior e Leandro
Zagueiros: Figueiredo, Marinho, Mozer e Ronald
Meio Campistas: Adílio, Andrade, Bigu, Gilmar, Vitor e Zico
Atacantes: Baltazar, Bebeto, Edson, Élder, Felipe, Julio César, Lico e Robertinho
Técnico: Carlos Alberto Torres

Zico dá adeus à Gávea

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Futebol Recordação: Flamengo campeão brasileiro de 1982


Vamos dar continuidade a uma série, dentro de outra série que pertence a um quadro. Sim, porque no Futebol Recordação, estamos falando de todos os Campeonatos Brasileiros, desde o primeiro. Chegando à década de 80, nos deparamos com o segundo título do Flamengo, numa série que você não perde por esperar nas postagens seguintes aqui no Pitacos.

Mas por enquanto, vamos conter a ansiedade, principalmente dos amigos leitores flamenguistas e vamos aqui, neste espaço, falar sobre o bi-campeonato conquistado no ano de 1982 pelo Mengão.

Flamengo, campeão brasileiro de 1982.


Seria impossível o Flamengo chegar pra aquela disputa com mais moral do que já chegava. No ano anterior, apesar de não ter sido campeão brasileiro, havia conquista o Carioca, a Libertadores e o Mundial. Se no título de 1980 o Fla provou sua grandeza além das fronteiras do Rio de Janeiro, em 82 não precisava provar mais nada, pois o mundo todo já tinha conhecimento da força do clube.

A base do time foi mantida, mas mesmo assim houve uma mudança significativa. Com a morte do treinador Claudio Coutinho, dias antes do terceiro jogo da final do Campeonato Carioca de 1981, Paulo Cesar Carpeggiani assumiu o comando técnico da equipe e se manteve durante toda a disputa do Brasileirão de 1982.

Zico permaneceria no papel de estrela, capitão, craque e ídolo do time, além de ter sido também, o artilheiro do torneio.

Fatos curiosos

Apesar do Grêmio, atual campeão brasileiro na época, ter feito a final da competição com o Flamengo, atual campeão mundial, foi o Guarani que conseguiu certa marca até invejável.

Com um ataque formado por Lúcio, Jorge Mendonça, Careca e Ernâni Banana, o Bugre conseguiu atingir a maior média de gols de uma equipe numa única edição inteira de Campeonato Brasileiro. Foram 53 gols em apenas 20 jogos, totalizando uma média de 2,65 gols por partida. O Palmeiras em 79, fez 16 gols em cinco jogos, média de 3,20 por jogo. Mas o alviverde entrou na disputa já nas quartas-de-final.

Como as duas partidas das finais terminaram empatadas (você verá mais adiante nesse post) pela primeira vez o Campeonato Brasileiro seria decidido na disputa de um terceiro jogo na grande final.

Regulamento

Em 82 o regulamento foi diferente do ano anterior. A primeira fase, também tinha 40 clubes, porém, divididos em oito grupos de cinco times cada. Em turno e returno, se classificavam os líderes, vice-líderes e terceiros colocados. O quarto de cada chave jogaria a repescagem.

Na repescagem, temos oito times sendo divididos em quatro confrontos. O vencedor de cada passaria adiante no torneio.

Na segunda fase, temos 24 classificados diretamente e mais quatro vindos da repescagem e ainda os quatro líderes da primeira fase da Taça de Prata. Formaram oito grupos de quatro times cada. Em turno e returno, se classificavam os dois líderes de cada grupo.

Na fase final foi mantida a formula do ano anterior com oitavas-de-final, quartas-de-final, semifinais e final. Eram jogos de ida e volta com o time de melhor campanha tendo o direito a mando de campo na segunda partida.

A grande final – terceiro jogo com ofensas e clima de guerra


Não há dúvidas nenhuma que ali acontecia o encontro das duas melhores equipes do país no momento. O Grêmio tinha sido campeão brasileiro no ano anterior. Já o Fla, tinha conquistado o caneco em 80 (ambas as conquistas você já viu, ou pode ver aqui no blog mais abaixo). O time gaúcho tinha a vantagem de jogar a segunda partida e uma eventual terceira em casa e ainda tinha a seu favor o fato de precisar, apenas, de três empates para ser o campeão.

O primeiro jogo caminhava para o que seria o segundo triunfo gremista. Com um 0x0 muito disputado, aos 38 do segundo tempo, Tonho abriu o placar para os gaúchos. Os mais de 138 mil torcedores que abarrotavam o Maraca pareciam não acreditar no que viam. Nem mesmo a parcela de torcedores visitantes. Mas como prometido logo após o golpe, Zico empatou o jogo numa bela jogada individual aos 42 minutos da etapa final.

Para a segunda partida, do lado tricolor, a certeza era uma: seremos campeões em cima dos campeões mundiais. Com isso, foram nada mais nada menos do que 74.238 torcedores para lotarem o Olímpico.

Apesar de um jogo muito truncado com o Grêmio fazendo a maior parte das jogadas ofensivas do jogo e não conseguindo furar a forte e competente retranca rubro-negra, o jogo acabou mesmo em 0 a 0 obrigando as equipes a protagonizarem um terceiro encontro.

Nas entrevistas após o término da segunda partida, o clima esquentou de vez. O goleiro Leão, do Grêmio, disse que o Flamengo era um time de covardes. Durante a semana que intermediou o segundo e o terceiro jogo da final, o centroavante flamenguista Nunes, não satisfeito com a declaração do rival prometeu um gol em cima de Emerson Leão. No Globo Esporte que foi ao ar no dia da final, Zico disse que havia sonhado com a vitória por 1x0, sendo Nunes o marcador do gol.

O jogo decisivo, conseqüente dessas polêmicas, começou bem quente. Logo com dois minutos de bola rolando, Leão defendeu uma bola e sofreu carga do seu “inimigo” Nunes. Em resposta, o goleiro gremista não pensou duas vezes e mandou o cotovelo no rosto do 9 da Gávea. O atacante rubro-negro virou, apontou para o rosto de Leão e disparou: vou fazer um gol em você, seu babaca! Foto da cena abaixo:


Com dez minutos de bola rolando, Zico pegou uma bola no meio campo, saiu driblando meio time do Grêmio e deixou o “João Danado” na boa para tocar na saída de Leão e fazer o gol único da partida. Com o resultado, o Mengão passou a se segurar no jogo, segurando as investidas tricolores ao ataque.

Mas com o gol de Nunes ficou visível que a partida tomava outra característica com os gremistas construindo jogadas e partindo pro ataque de forma desesperada. Nesse momento cresceu a figura do goleiro flamenguista Raul, que em um dos lances, chegou a tirar uma bola de dentro do gol. Até hoje há muita reclamação dos gaúcos por causa desse lance. Em sites de vídeos, é possível observar que a bola chegou a entrar no gol, que não foi validado. Mas no resumir dos fato, o título acabou mesmo indo para a Gávea.

Para o técnico Paulo Cesar Carpeggiani, o gosto foi mais do que especial. Revelado e tendo atuado boa parte da carreira de jogador no rival do Grêmio, o Internacional, sendo inclusive vencedor da maioria dos GRENAIS que disputou, ele comemorou a conquista duplamente.

Festa na casa do oponente. Mas em todo o Brasil, a torcida que crescia cada vez mais, (principalmente no Nordeste, influenciado pelas rádios que haviam transmitido a Libertadores e a final do Mundial de 81) gritava e comemorava o segundo titulo do Flamengo.

Dados do jogo final

Grêmio 0x1 Flamengo
Local: Olímpico (Porto Alegre)
Juiz: Oscar Scolfaro (SP)
Renda: CR$ 29.579.900,00
Público: 62.256 espectadores

Flamengo


Em pé:
Leandro, Raul, Marinho, Figueiredo, Andrade e Júnior;
Agachados: Tita, Adílio, Nunes, Zico e Lico.

Grêmio: : Leão; Paulo Roberto, Newmar, De Leon e Paulo César; Batista, Paulo Isidoro e Vilson Tadei; Renato, Baltazar (Paulinho) e Tonho (Odair)
Técnico: Ênio Andrade

Campanha do campeão

O Mengão, em 23 jogos, venceu 15, perdeu apenas 2 e empatou 6. Balançou as redes adversárias em 48 oportunidades e lamentou gol sofrido por 27 vezes.

Jogadores que fizeram parte da campanha

Goleiro: Cantarele e Raul
Laterais: Junior e Leandro
Zagueiros: Marinho e Mozer
Meio Campistas: Adílio, Andrade, Tita, Vitor e Zico
Atacantes: Anselmo, Chiquinho, Edson, Lico, Nunes, Peu, Popéia, Reinaldo e Zezé
Técnico: Paulo César Carpeggiani

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Conhecendo a Vizinhança: entrevista com Carlão Azul do Sou Cruzeirense



A volta do Conhecendo a Vizinhança vem em grande estilo. Este é um dois grandes amigos feito por este blogueiro que vos escreve nesse mundo da blogosfera. Foi a segunda pessoa a comentar no “Futebol, Música, Etc” (meu primeiro blog) logo após a sua estréia. Portanto, tenho uma admiração especial por ele.

Carlão Azul é um cara que mesmo sem tempo, permanece atualizando o Sou Cruzeirense. Talvez, seja um dos blogueiros que mais tenha paixão pelo seu blog.

Acompanhe essa entrevista sincera e interessante:

Quando, como e por que nasceu o Sou Cruzeirense?

Nasceu sem planejar, isso é certo. Eu já visitava bons blogs sobre o Cruzeiro, e um dia comecei criando um blog, quase sem querer. Depois de criado gostei demais da possibilidade de falar sobre o meu time, de divulgar tudo que eu pudesse sobre ele. O blog nasceu depois do site que também começou mais ou menos assim, meio que por acaso. Infelizmente tiraram meu site do ar, em julho desse ano, era servidor free. Criei também esse ano o Blog Sou Cruzeirense-Brindes, para postar vídeos, figuras e qualquer coisa sobre o Cruzeiro e assim disponibilizar para a torcida esses conteúdos.

Quais são os blogueiros em que você se espelha?Por quê?

Admiro muito o Jorge Santana do Blog Páginas Heróicas Digitais. Ele é inteligentíssimo, culto e toca muito bem o melhor blog que existe sobre o Cruzeiro. Tem também o Benny The Dog do Blog do Cruzeirense que além de muito bem humorado é um perfeito mago das imagens. Também o Vinícius Grissi (Marcação Cerrada) é um blogueiro que eu leio constantemente e pra mim é um dos melhores da blogosfera, isso entre os que ainda não tem uma carreira jornalística.

O que você mais foca para falar do Cruzeiro? Quais suas fontes e inspirações para escrever seus textos?

Últimamente só tenho conseguido postar sobre os jogos do Cruzeiro. Não ta dando tempo nem pra cuspir por compromissos e obrigações profissionais, mas o pouco tempo que tenho, limitando-se aos posts sobre os jogos eu retiro a inspiração do próprio jogo. Claro que pesquiso alguns itens do jogo nos sites específicos e no site oficial.

Entre tantos posts, você consegue escolher um como aquele que mais te marcou?

É difícil demais escolher um, mas tem o da Sassá, que me recordo foi um dos campeões de comentários no blog. Fiz com muito carinho esse post, pois além de conhecer pessoalmente a jogadora de Vôlei eu sempre lutei para que a grande carreira dela fosse mais valorizada e reconhecida em Barbacena.



O que você dá mais importância nos blogs alheios? E por quê?

Com certeza ao conteúdo, a um texto bem feito e inteligente. É agradável e faz bem ler bons textos, agora figuras e fotos bonitas também são importantes.

Desde que você faz parte da blogosfera, qual a melhor e a pior situação ocorrida em seu blog e/ou em algum outro blog?

Sem dúvidas foi agora há pouco quando fomos vice-campeões da Libertadores. Tive muitos comentários ofensivos de argentinos (?!) e de torcedores do inexpressivo rival local. Tive tantos problemas que optei por moderar todos os comentários naquele período.

Existe alguma coisa que outros blogueiros fazem no próprio blog que você, como visitante, reprove totalmente? Se sim, o que?

Não é o caso de reprovar, mas tem uma coisa que acho que não deveria ser utilizada em blogs ou até msmo sites. É a música no blog. A gente entra no blog e logo uma música começa a tocar só que quase sempre estamos no local de serviço e isso não é legal.

E o que você tem a dizer, a respeito daqueles blogueiros que vão a outros blogs APENAS para deixarem o endereço do próprio blog, fazendo divulgação e nem sequer comentam o post do blog que está visitando?

Nunca utilizei deste instrumento de publicidade desta maneira, só colocando o link. Mas é uma ótima maneira de divulgar seu blog, só que tem de ser utilizada com critério, pois muitas pessoas não gostam desse tipo de publicidade que é invasiva. Eu sempre utilizo, mas não coloco meus links sem antes comentar sobre o conteúdo do post. Só colocar o link eu creio que seja desrespeito.

Você consegue descrever pra gente o perfil da maioria dos seus leitores?

Outra coisa difícil. Mas as maioria dos que me visitam e comentam são blogueiros. Agora os que só lêem não dá nem pra gente saber quem é.

Liste agora pra gente, os sete melhores blogs em sua opinião.

PHD do Jorge Santana;
Blog do Cruzeirense - Benny The Dog;
Blog Azul Cruzeiro – Rafael Amaral;
C.I.Informando – Lú Silva;
Torcida Cinco Estrelas;
A Bela e a Bola – Clítia Milagres;
Blog LC – Leônidas;
E tem mais, muito mais, mas você só pediu sete aí ficou difícil de falar de todos.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Futebol Recordação: Grêmio campeão brasileiro de 1981


O Futebol Recordação volta com tudo para fazer um lembrete aos amigos leitores do Pitacos do Bodaum. Este quadro tem certo de postagem. Ou seja, toda terça-feira a noite vocês podem passar por aqui que com certeza terão mais uma postagem dessa série que fala sobre acontecimentos do passado futebolístico.

E caso você visite esse blog numa terça no inicio da noite e ainda não haja uma nova postagem, pode ter certeza, ela estará sendo preparado. Se não houver, sempre haverá um aviso.

Grêmio, campeão brasileiro de 1981


O Grêmio era um time considerado raçudo, aguerrido, mas que estava em dívida com sua torcida, pois ainda não tinha dado nenhum conquista importante aos seus apaixonados, enquanto o Internacional já era tri campeão brasileiro. Daí em diante, a década de 80 veio para mudar todo esse panorama.

Um grande campeão gaucho passava a se firmar como vencedor a nível nacional e mais tarde, continental e mundial também.

E tudo começou com a contratação de um comandante que já tinha sido campeão brasileiro com o próprio Internacional, Ênio Andrade. Mas havia um problema sério. Por mais que a torcida começasse a pressionar cada vez mais, o clube não tinha dinheiro para grandes contratações.

Com uma verdadeira bomba na mão Ênio olhou para os meninos das categorias de base e vislumbrou jogadores que poderiam dar conta do recado.

Começando a temporada com um time nada promissor, cheio de jovens desconhecidos e que não despertava nem um pouco de confiança por parte da torcida, a pressão e exigência por um resultado satisfatório ao final do ano só aumentava.

Mas o Tricolor dos Pampas sempre foi Copero y Peleador. Começou aí a ser escrita, pelo menos a nível nacional, a sua tradição de crescer nos momentos de maiores dificuldades. Um clube iria mostrar ao país que não está morto quem pelea. Muito pelo contrário. Todos iriam passar a conhecer o verdadeiro Imortal do futebol brasileiro.

Fatos curiosos

A CBF mudara os critérios de acesso à Taça de Ouro (primeira divisão). A partir desse ano, passariam a valer os resultados e classificações finais dos campeonatos estaduais para decidir quais clubes teriam condições de jogar na elite do futebol brasileiro.

Seria mantida, entretanto, o acesso na segunda fase dos quatro primeiros da primeira fase da Taça de Bronze (segunda divisão) do mesmo ano.

Como o Palmeiras fez uma péssima campanha no Paulistão de 1980 e não conseguiu ficar entre os seis líderes (vagas a Taça de Ouro), acabou iniciando o Nacional na Taça de Bronze. Era a primeira vez que um campeão brasileiro jogaria a segunda divisão. Mas como terminou a primeira fase entre os quatro, ao lado de Náutico, Bahia e Uberaba, disputaria a segunda fase da primeira divisão.

A quantidade de vagas por campeonato estadual era a seguinte: São Paulo (6), Rio de Janeiro (5), RS, MG, PR, BA, PE, CE e GO (2). E mais 13 Estados seriam representados apenas com os respectivos campeões.

Regulamento

A primeira fase, com 40 clubes, foi dividia em quatro grupos de dez. Os sete primeiros se classificavam.

Com 28 advindos da primeira fase mais os quatro que subiam após jogar a primeira fase da Taça de Prata, totalizando 32, foram divididos em oito grupos de quatro, cada. Em dois turnos, os dois líderes de cada chave passariam a diante.

A fase final sofreria mudança com relação ao ano anterior. Dessa vez passaríamos a ter oitavas-de-final, quartas-de-final, semifinais e final. Eram jogos de ida e volta com o time de melhor campanha tendo o direito a mando de campo na segunda partida.

A grande final


Logo de cara o São Paulo foi considerado favorito, principalmente pela imprensa de fora do Rio Grande do Sul. Acontece que dentro da sua cidade, todos sabiam do esforço gremista para montar aquele time. No início daquela temporada (como dito nesse post) ninguém acreditava que o Grêmio pudesse chegar onde chegou. Ninguém daria um centavo numa aposta pelo Tricolor. Mas a torcida, apesar de cobrar bastante esse título, sempre depositou muita fé, mesmo se tratando de um time de desconhecidos, de jovens.

Inclusive, em São Paulo, até pelo fato da haver a vantagem do jogar o segundo jogo em casa, havia parte da crônica especializada encarando a grande finalíssima como combate já vencido pelo tricolor... Paulista.

O São Paulo tinha um time com grandes craques, nomes conhecidos e que já serviam a seleção. Dentre os que viveram a época, muitos chegam a mencionar um certo menosprezo paulista para com os gaúchos. Mas fez bem quem esperou ver, para crer.

Primeira partida no Olímpico e no finalzinho do primeiro tempo, Serginho Chulapa abria placar. Os sorrisos paulistas pareciam dizer: “óbvio que seria dessa forma, já somos campeões”. São paulinos desciam ao vestiário tentando esconder a empolgação. Já os gremistas pareciam estar com o sangue fervendo. Ninguém imaginava o que iria acontecer no segundo tempo.

Relembrando tudo aquilo que tinha sido o ano, com uma batalha do inicio ao fim para montar um time barato, porém que jogasse bem, a torcida não hesitou em gritar o nome do time e dar apoio, mesmo que o título não viesse.

Com dez minutos de segundo tempo, Paulo Isidoro transforma o que seria mais uma final de Campeonato Brasileiro, num verdadeiro conto épico do nosso futebol. O Grêmio havia empatado o jogo. Os são paulinos por sua vez, poderiam chegar a seguinte conclusão: tudo bem, empataremos aqui e venceremos em casa.

Mas aos 24, novamente ele. Paulo Isidoro marca mais um gol e por incrível que pudesse parecer para alguns, coloca o time gaucho na frente. E com esse placar, até de certa forma improvável, as atenções se voltariam para o Morumbi. Muitos se perguntavam: o que vai acontecer agora?

O primeiro tempo da segunda partida teve certa pressão do São Paulo, mas o 0 não saía do placar. O time gremista já estava satisfeito com o que havia conseguido até então, pois aquele resultado já dava o titulo ao Grêmio, mas eles queriam mais. Muito mais. Enquanto os paulistas tinham certeza absoluta que iriam desfazer a vantagem dos gaúchos.

Com 9 minutos de segundo tempo, Baltazar fez o inesperado. Grêmio 1x0. Em pleno estádio do Morumbi. Aí o São Paulo foi à loucura. O jogo começava a ficar nervoso e quente ao mesmo tempo em que os, até então derrotas, não acreditavam no que estava acontecendo. Tanto que faltando poucos minutos para o fim da partida, Chulapa se descontrolou e acabou sendo expulso.

A apito final veio com uma definição: Não está morto quem pelea. O Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense é sim Imortal. É sim campeão! Festa no Rio Grande do Sul regada a chimarrão e muito churrasco para comemorar.

Dados do jogo final

São Paulo 0x1 Grêmio
Local: Morumbi (SP)
Juiz: José Roberto Wright (RJ)
Renda: CR$ 33.819.400,00
Público: 95.106 espectadores

Grêmio



Em pé: Leão, Paulo Roberto, China, Casemiro e Hugo De León;
Agachados: Tarciso, Vilson Tadei, Baltazar, Paulo Isidoro e Odair.

São Paulo: Valdir Peres; Getúlio, Oscar, Dario Pereyra e Marinho Chagas; Élvio, Everton (Assis) e Renato; Paulo César, Serginho e Zé Sérgio
Técnico: Carlos Alberto Silva

Campanha do campeão

Em 23 jogos, os gremistas comemoraram 14 vitórias, choraram 7 derrotas e ficaram insatisfeitos com 7 empates. Marcaram 32 gols e sofreram 21.

Jogadores que fizeram parte da campanha

Goleiro: Leão e Remi
Laterais: Casemiro, Dirceu, Paulo Roberto e Uchôa
Zagueiros: De Leon, Newmar, Vantuir e Vicente
Meio Campistas: Bonamigo, China, Flávio, Jurandir, Paulo Isidoro, Vilson Tadei
Atacantes: Baltazar, Héber, Odair, Plein, Renato Sá e Tarciso
Técnico: Ênio Andrade

Abaixo a foto do troféu do Brasileirão de 1981


terça-feira, 20 de outubro de 2009

Futebol Recordação: Flamengo campeão brasileiro de 1980


A maioria com certeza sabe. A minoria, talvez não saiba, mas agora ficará sabendo. Este que vos escreve nunca escondeu, muito pelo contrário, sempre assumiu com todo orgulho o time que torce. Este é o Flamengo.

A partir desse fato, podem certeza, vocês estão diante de um dos posts que mais vão marcar a vida blogueira deste ser. Já estava marcando antes mesmo das primeiras tecladas.

Vamos nessa, saber como foi a primeira conquista nacional do Mengão!

Flamengo, o maior campeão nacional da década de 80


Nos últimos anos da década de 70 uma revolução aconteceu na Gávea. Estava sendo construída a máxima rubro-negra que diz: craque, o Flamengo faz em casa.
De 77 em diante, Zico e sua turma começava a ganhar um entrosamento dentro das quatro linhas. E fora também. Não apenas como um time de futebol, mas como uma família. As vitórias começavam a virar rotina à medida que os títulos eram somados.

Como tradicionalmente acontece no mengão, o tri campeonato carioca conquistado em 1980 embalava mais uma vez a equipe para o Brasileirão. Mas ao contrário dos anos anteriores, estava no ar a sensação de que aquela equipe (que tinha jogadores como o goleiro Raul, Rondinelli, Marinho, Paulo Cesar Carpeggiani, Andrade, Adílio, Tita e os grandes craques do time, Zico e Júnior) estava enfim, preparada pra uma conquista como o Campeonato Brasileiro. Mas o objetivo mesmo, era degrau por degrau, chegar ao título de campeão mundial.
E todo esse esquadrão que viria a caminhar cada vez mais vitorioso nos anos seguinte tinha o comando de Claudio Coutinho.

Mas bastava sair da Gávea, para as expectativas com relação ao Fla mudarem de tom. Principalmente fora do Rio, o time era conhecido como caseiro; aquele que só ganhava disputas domésticas muito influenciado pelo fato de jogar no Maracanã. A imprensa de outros estados costumava dizer que quando o time carioca saía do Rio de Janeiro, se tornava uma equipe comum, que não ganhava nada. Mal sabiam do que estava por acontecer no futuro próximo.

Fatos Curiosos

Com uma confederação própria pra cuidar do futebol brasileiro – a Confederação Brasileira de Desporto havia se desmembrado em várias entidades em 1979, sendo uma delas a Confederação Brasileira de Futebol – os clubes brasileiros resolveram dar seu primeiro grito de independência contra o que vinha acontecendo no regulamento. Ano após ano, o governo militar incluía cada vez mais participantes no Brasileirão. Justamente no ano que a CBD deixou de existir, nascendo assim a CBF, o número de equipes na disputa foi de 94.

A CBF cedeu as investidas dos clubes e dividiu as equipes em três escalões. O mais alto ficou sendo chamado de Taça de Ouro, que contava com os 40 clubes considerados mais fortes na época. Também foram criadas as Taça de Prata e de Bronze.

O sistema de acesso também foi um pouco “diferente”, porém menos absurdo do que vinha acontecendo anteriormente. Na primeira fase da Taça de Prata, os quatro melhores colocados já passavam a jogar a Taça de Ouro, no mesmo ano. Ao término da segunda fase do escalão intermediário, as duas melhores equipes habilitavam-se a jogar na elite do futebol nacional no ano seguinte.

Outro fato curioso é o questionamento da arbitragem das duas finais feitas por parte dos atleticanos. Segundo os vice-campeões daquele ano, as duas arbitragens (Romualdo Arppi Filho e José de Assis Aragão, que seria apelidado mais tarde de José de Assis Mengão) haviam sido tendenciosas em favor dos cariocas num esquema que envolveria Rede Globo, (canal de televisão sediada no Rio de Janeiro e que começava a exercer cada vez mais influencia na organização de datas e regulamento do campeonato); a recém nascida CBF, que também era fixada na Cidade Maravilhosa e contava com diretores que nunca esconderam serem torcedores fanáticos do Flamengo e também ao fato de que havia uma pressão muito forte da imprensa carioca para que um time da cidade voltasse ao topo mor do futebol nacional. Até então, apenas o Vasco tinha sido campeão brasileiro.

As reclamações atleticanas são baseadas em dois gols anulados na primeira final, que poderiam abranger o placar para uma vitória por 3x0. Também pelo cartão amarelo de Reinaldo por cera, que alias, sairia de campo machucado, sem que nenhum jogador rubro-negro tivesse sido expulso. Os mineiros também ficaram descontentes alegando um exagerado número de inversões de falta, que fugiriam do normal.

Mais reclamações ainda aconteceram na segunda partida. Durante o jogo, a cada falta marcada contra o Galo, os alvinegros, já revoltados pela arbitragem da primeira partida, reagiam com veemência na tentativa de pressionar o arbitro José de Assis Aragão. Os noventas minutos correram num clima de muita tensão. Sem dúvida nenhuma, àquela altura, Atlético e Flamengo davam início a maior rivalidade do futebol brasileiro naquela época. O nervosismo foi de parte a parte, com muitos xingamentos, jogadas truculentas e atitudes ríspidas.

O que pesou a favor dos campeões, foi o fato de Reinaldo – machucado – ter perdido a paciência com o arbitro chegando a ofender sua honra. Não obstante, o juiz tomou a atitude de expulsar o principal jogador do Atlético. Esse foi o estopim para o que era apenas reclamação, se transformar em revolta por parte dos mineiros.

Regulamento

A primeira fase, com 40 clubes, foi dividia em quatro grupos de dez. Os sete primeiros se classificavam.

Com 28 advindos da primeira fase mais os quatro que subiam após jogar a primeira fase da Taça de Prata, totalizando 32, foram divididos em oito grupos de quatro, cada. Em dois turnos, os dois líderes de cada chave passariam a diante.

Quatro grupos com quatro times. O campeão de cada grupo jogaria a semifinal.

As semifinais tiveram Atlético-MG eliminando Internacional e Flamengo eliminando o Coritiba.

A grande final


Como já visto, toda a polêmica envolvendo as arbitragens em conseqüência da atenuada reclamação atleticana, foi descrita na parte de Fatos Curiosos desse post.

O primeiro jogo aconteceu no Mineirão para a presença de 90 mil atleticanos que tinham convicção total na segunda conquista do Campeonato Brasileiro da equipe. Uma torcida apaixonada e aguerrida que não poupou esforços para fazer uma linda festa e empurrar seu time para uma vitória pra cima do Flamengo, fazendo com que o segundo jogo no Maracanã acontecesse com uma boa vantagem.

E de fato eram dois times de impor respeito. Deixando de lado as brigas, desentendimentos e rixas da maior rivalidade do futebol brasileiro na década de 80, os finalistas, até de forma inteligente, se respeitavam bastante. Se de um lado tínhamos Adílio, Andrade, Junior, Zico e Cia; do outro tínhamos Toninho Cerezo, Palhinha, Eder Aleixo e o craque Reinaldo.

O primeiro jogo da final, de certa forma teve domínio atleticano. Se aproveitando da ausência de Zico, o Galo ditou o ritmo da partida exercendo uma pressão tamanha nos cariocas. Reinaldo não apenas marcou o gol do jogo ao dez do segundo tempo, como também fez uma das mais belas jogadas de sua carreira, quando aplicou dois lindos chapeis em Júnior, que ficara sentado no gramado do Mineirão. Resultado final: 1x0 pro Atlético.

O segundo jogo não teve domínio de nenhum dos dois. O que sobressaiu mesmo foi o nervosismo da parte a parte. Os mineiros vinham muito nervosos pela arbitragem do primeiro jogo e os cariocas, pela necessidade vital de desfazer a vantagem construída pelo rival.

Logo aos sete do primeiro tempo, Nunes conseguiu soltar o grito de gol de mais de 150 mil torcedores que lotavam o Maraca numa quantidade incrível. Mas um minuto depois, o Galo jogava um banho de água fria empatando o jogo com Reinaldo. Aos 44, Zico colocava de novo o Fla na frente. Reinaldo, aos 21 da segunda etapa, novamente empatava o placar, devolvendo a condição de campeão ao seu time.

Eis que faltando menos de dez minutos pro encerramento da partida, Nunes mudou tudo. Fez seu segundo gol na final fazendo o povão rubro-negro explodir de alegria na comemoração daquele que marcava o gol do primeiro título de campeão brasileiro do Mengão. A imprensa brasileira se via obrigada a se calar, pois o time taxado como caseiro, se sagrava vencedor do torneio nacional mais importante do Brasil.

Dados do jogo final

Flamengo 3x2 Atlético/MG
Local: Maracanã (RJ)
Juiz: José de Assis Aragão (SP)
Renda: CR$ 19.762.210,00
Público: 154.355 espectadores

Flamengo


Em pé: Andrade, Marinho, Raul, Rondinelli, Carlos Alberto e Júnior;
Agachados: Tita, Adílio, Nunes, Zico e Julio Cesar.

Atlético-MG: João Leite; Orlando (Silvestre), Osmar, Luisinho (Geraldo) e Jorge Valença; Chicão, Toninho Cerezo e Palhinha; Pedrinho, Reinaldo e Éder
Técnico: Procópio

Campanha do campeão

O Mengão, o mais querido do Brasil, fez sua vasta Nação comemorar 14 vitórias, lamentar apenas duas derrotas e desanimar em seis empates. Balançou as redes adversárias em 46 oportunidades e chorou o gol do oponente por 20 vezes.

Jogadores que fizeram parte da campanha

Goleiro: Cantarele, Hélio dos Anjos e Raul
Laterais: Carlos Alberto, Junior e Toninho
Zagueiros: Manguito, marinho e Rondinelli
Meio Campistas: Adílio, Andrade, Paulo César Carpeggiani, Tita, Vitor e Zico
Atacantes: Anselmo, Carlos Henrique, Juninho, Julio César, Nunes, Reinaldo I e Reinaldo II
Técnico: Cláudio Coutinho

Abaixo foto da torcida do Flamengo fazendo festa em 1980

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Futebol Recordação: Internacional campeão brasileiro de 1979


O Futebol Recordação já completou quase uma década no Campeonato Brasileiro. Desde 71 chegando agora a 1979.

Muitas histórias, curiosidades, fatos marcantes, acontecimentos inesquecíveis, craques se consagrando, outros se decepcionando. Com certeza muito conhecimento foi passado para aqueles que vêm acompanhando o quadro que traz uma série toda especial sobre o nosso principal torneio futebolístico. Essa é a maior satisfação deste blogueiro.

Internacional, o maior campeão brasileiro da década de 70.


Algumas peças que já haviam conquistados dois títulos pra Nação Vermelha permaneciam no Internacional. Outros chegaram e um em especial surgia das categorias de base: Mauro Galvão.

O jovem zagueiro, que disputou a maior parte da competição com 17 anos, já impressionava com sua técnica apurada, aliada a uma capacidade incrível de posicionamento e marcação forte, porém leal.

Como o segredo daquele time era misturar juventude com experiência, nomes como de Valdomiro, Batista, Mario Sergio e Jair também tiveram grande peso nessa conquista.

Mas claro, um fato que não se pode ignorar foi o grande destaque de Falcão no campeonato. Ele foi a estrela do time. Um grande craque que demonstrava que volante, também podia ter na técnica a sua principal virtude.

Fatos Curiosos

Foi no ano de 1979 que a CBD deixou de existir. Dela, dissolveram-se várias entidades. Uma especializada em cada esporte. Pra cuidar do futebol brasileiro, foi criada a CBF (Confederação Brasileira de Futebol).

Pela primeira vez o Brasileirão teve um campeão invicto. O Inter disputou 23 jogos, empatando seis e vencendo 17. Talvez, o título mais incontestável da história do futebol brasileiro.

Neste ano também, tivemos apenas uma divisão que contou com nada mais, nada menos do que 94 clubes disputando. Outra quebra de recorde. E não sendo diferente dos anos anteriores, isso foi resultante da pressão exercida pelo governo militar, que colocava clubes de Estados menos tradicionais no futebol e assim conseguia ‘agradar’ o governo destes Estados.

Corinthians, Portuguesa, Santos e São Paulo não disputaram o campeonato, pois foram contrários a participação de cariocas e paulistas somente na terceira fase. Os clubes destas cidades só iniciariam no Brasileirão após jogarem um torneio Rio-SP que acabou não acontecendo.

Regulamento

A primeira fase teve 80 clubes. Eram oito grupos de dez. Dos grupos A, B, C, D, E e F, se classificaram os quatro melhores mais os quatro com melhor campanha desses grupos contando do quinto lugar pra baixo. Dos grupos G e H (grupos com as equipes consideradas mais fortes) os oito melhores colocados.

Na segunda fase, juntaram-se os 44 clubes classificados desde a primeira com mais 12 times (seis cariocas e seis paulistas) sendo todos esses divididos em sete chaves com oito clubes cada. Os dois melhores de cada grupo passavam pra terceira fase.

Com os 14 classificados, entram pra disputa Guarani e Palmeiras, campeão e vice de 1978, respectivamente. Com 16 times, são formados quatro grupos de quatro. O “campeão” de cada chave habilitava-se à semifinal.

Momento mágico: Falcão encanta todo o país

O grande craque Falcão fez aquela que pode ser considerada uma das melhores partidas de sua carreira, senão a melhor. Contra o Palmeiras, que era treinado por Telê Santana e vinha cheio de status por ter eliminado o Flamengo no Maracanã pelo placar de 4x1, o volante colorado fez dois gols estabelecendo a vitória do time em pleno Morumbi pelo placar de 3x2. No jogo de volta, no Beira-Rio, o empate em 1x1 deu a vaga ao time gaucho pra grande final.

Na outra semifinal, o Vasco eliminara o Coxa.

A grande final


O duelo que estava por vir, antes mesmo do início já empolgava os amantes do futebol. De um lado tínhamos o Vasco da Gama, uma vez campeão brasileiro e que contava com Leão no gol e Roberto Dinamite no ataque. Do outro lado, o Inter com seu time que ainda não sabia o que era perder naquele campeonato, e tinha ele, o craque Falcão.

A exemplo da semifinal, a disputa pro Inter também começou fora de casa. No Maracanã, mais uma vez o colorado não tomava conhecimento do adversário e nem os 60 mil torcedores foram capazes de intimidar o grande time treinado por Ênio Andrade. Resultado: 2x0 com dois gols de Chico Spina. Inter com a mão na taça.

Na partida de volta, no Beira-Rio, uma tarde dominical ensolarada já desenhava pra torcida que aquele seria um dia especial. Ver a consagração triunfal de um time até hoje inigualável, pelo menos no quesito campanha. Era a última partida do torneio e nenhum time até então havia conseguido vencer o Internacional. E essa tarefa árdua ficou a cargo do Vasco, que além de toda essa pressão, ainda tinha dois gols em desvantagem desde a primeira partida da final.

E mais uma vez deu Inter na cabeça. No final do primeiro tempo, Jair abriu o placar. No inicio do segundo, Falcão consumou a festa e praticamente fechou o caixão cruzmaltino. A festa já estava tomando forma e cor: vermelha, claro.

No finzinho do jogo, a equipe carioca ainda descontou com Wilsinho. Mas nada que diminuísse o festejo dos mais de 54 mil presentes ao Gigante da Beira-Rio. Inter tri campeão brasileiro. Mas desta vez, invicto!

Dados do jogo final

Internacional 2x1 Vasco
Local: Beira-Rio (Porto Alegre)
Juiz: José Faville neto (SP)
Renda: CR$ 4.625.850,00
Público: 54.659 espectadores

Internacional

Em pé: João Carlos, Benitez, Mauro Pastor, Falcão, Mauro Galvão e Claudio Mineiro;
Agachados: Valdomiro, Jair, Bira, Batista e Mário Sérgio.

Vasco: Leão; Orlando, Ivã, Gaúcho e Paulo Cezar; Zé Mario, Paulo Roberto (Xaxá) e Paulinho (Zandonaide); Catinha, Roberto Dinamite e Wilsinho
Técnico: Oto Glória

Campanha do campeão

Em 23 jogos, foram 17 vitórias (uma por W.O) e seis empates. O ataque colorado marcou 40 gols, enquanto a defesa tomou 13.

Jogadores que fizeram parte da campanha

Goleiro: Benitez e Gasperin
Laterais: Borracha, Cláudio Mineiro, Edson Galvão e João Carlos
Zagueiros: Mauro Pastor, Mauro Galvão
Meio Campistas: Batista, Falcão, Jair, Mário Sergio, Tonho, Toninho e Valdir Lima
Atacantes: Adilson, Bira, Chico Spina, Mario, Pompéia, Silvinho e Valdomiro
Técnico: Ênio Andrade

Abaixo, foto da torcida Colorada fazendo a festa em 1979:

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Futebol Recordação: Guarani campeão brasileiro de 1978


Depois de uma pausa devido às provas e trabalhos deste blogueiro, o Futebol Recordação volta com tudo para falar do título do Guarani, conquistado no ano de 1978. Pela primeira vez o Brasil via um time do interior se sagrar campeão nacional. Confira.

Histórico do Guarani campeão brasileiro de 1978


A história do Bugre campeão começou a ser escrita lá atrás nos anos 50. Foi quando a principal especialidade do clube começava a ganhar forma que era a de revelar jogadores que mais tarde serviriam à Seleção Brasileira.

Em 1954 o primeiro deles, Fifi, que jogou o Campeonato Sul-Americano Juvenil. Em 1963 quatro jogadores passariam a compor a lista de convocados. Foram eles: Tião Macalé, Oswaldo, Amauri e Hilton. Mas a história não se resumiu apenas em jogadores cedidos à seleção, mas também em títulos.

O Guarani foi campeão dos Torneios-Inícios dos Campeonatos Paulistas de 1953, 1954 e 1956; da Taça dos Invictos da Gazeta Esportiva em 1970 e da Taça Almirante Heleno Nunes (referente à conquista do primeiro turno do Campeonato Paulista) em 1976.

O time que cravou o auge de toda a história bugrina em 78 contava com nomes como Careca, Zenon, Renato "Pé Murcho" e o treinador Carlos Alberto Silva. Anos mais tarde, o centroavante Careca faria história também com a amarelinha sendo um dos principais jogadores que o país já viu com a 9 do Brasil.

Até hoje, o Guarani é o único do interior a ter conquistado o título da primeira divisão do campeonato brasileiro, tendo sido ainda vice-campeão do Torneio dos Campeões em 1982, quando perdeu a final deste torneio nacional patrocinado e organizado pela CBF para o América no Maracanã por 2 a 1.

Fatos Curiosos

O marco do ano de 1978, em especial essa edição do Brasileirão, foi mesmo termos um time do interior se sagrando campeão nacional. Mas outros acontecimentos também preencheram as curiosidades desse campeonato.

Pela primeira vez seria implementado o sistema de ida e volta nas fases decisivas do torneio.

Era ano de Copa do Mundo e nesse caso, o governo militar costumava deixar de lado seu poderio influente para “empurrar” equipes pra principal competição de futebol do Brasil. Mas 78 foi diferente. A junta governamental quase empatou o número de participantes com o ano vigente. Tivemos 74 cubes na disputa.

Evidentemente, com isso tudo de times e mais o sistema de ida e volta, tivemos o recorde de jogos em quase seis meses de disputa. Foram incríveis 792 partidas.

Regulamento

Na primeira fase, as equipes foram divididas em seis grupos (dois com 13 e quatro com 12). Após mais três etapas (incluindo uma repescagem), chegava-se as quartas de final, fase estreante no torneio. A partir desta etapa o regulamento previa jogos de ida e volta. Na semifinal tivemos vencedores Guarani, Vasco, Palmeiras e Inter. O time de Campinas venceu os dois confrontos diante do então campeão carioca. E o Palmeiras eliminou o Inter de Falcão.

A grande final (com duas partidas)


Primeiro foi a vez da torcida palmeirense empurrar seu time na busca do terceiro título brasileiro. A tarefa parecia fácil. Era preciso apenas vencer o emergente rival.

Num jogo amarrado e muito disputado, Leão, goleiro do Palmeiras, cometeu pênalti em Careca. Após uma cotovelada no atacante bugrino, o arqueiro foi expulso pelo árbitro do jogo Arnaldo Cesar Coelho. Como as duas substituições possíveis (naquela época) já tinham sido executadas, Escurinho foi pro gol.

O goleiro improvisado não foi capaz de agarrar a cobrança de Zenon aos 31’ do segundo tempo.

Na segunda partida, disputada no estádio Brinco de Ouro da Princesa, em Campinas, quase 30 mil torcedores do Guarani foram testemunhar um fato que sempre será celebrado com muita alegria e satisfação.

Aos 36’ do primeiro tempo, ele, Careca, o artilheiro do time no Campeonato com 13 gols balançou as redes adversárias. Foi o instante em que o estádio começava a vibrar com um fato inédito. O Guarani começava a desenhar a conquista mor em nível nacional por um clube brasileiro.

Quando José Roberto Wright encerrou a partida, os torcedores não cabiam dentro de si. Era muita festa para aqueles enlouquecidos. Campinas foi ao delírio com seu ilustre representante, o time capiria, sendo o grande campeão daquele ano.

Dados do jogo final

Guarani 1x0 Palmeiras
Local: Brinco de Ouro da Princesa (Campinas)
Juiz: José Roberto Wright (RJ)
Renda: CR$ 1.706.280,00
Público: 27.086 espectadores

Guarani


Em pé: Neneca, Edson, Mauro, Gomes, Miranda e Zé Carlos;
Agachados: Capitão, Renato, Careca, Manguinha e Bozó.

Palmeiras: Gilmar; Rosemiro, Beto Fuscão (Jair Gonçalves), Alfredo e Pedrinho; Ivo, Toninho Vanusa e Jorge Mendonça, Silvio, escurinho e Nei
Técnico: Jorge Vieira

Campanha do campeão

Para se impor diante de oponentes que custavam em acreditar no seu potencial interiorano, foram necessárias 20 vitórias em 32 jogos, com quatro empates e quatro derrotas. Foram marcados 57 gols e sofridos 22.

Jogadores que fizeram parte da campanha

Goleiro: João Roberto e Neneca
Laterais: Alexandre, Cuca, Mauro e Miranda
Zagueiros: Edson, Gomes, Odair e Silveira
Meio Campistas: Antônio Carlos, Gersinho, Manguinha, Renato, Tadeu, Zé Carlos e Zenor
Atacantes: Adriano, Bozó, Capitão, Careca, Claudinho, João Carlos e Macedo
Técnico: Carlos Alberto Silva

Abaixo foto do mascote do clube:

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Pequena pausa

AVISO!!!

Excepcionalmente nesta terça não será postado o título do Guarani de 1978. Motivo: o blogueiro que semanalmente os escreve neste espaço virtual, está com seu tempo completamente tomado por provas e trabalhos universitários.

Mas não fiquem tristes. Tanto o quadro Futebol Recordação como o quadro Conhecendo a Vizinhança, voltarão as suas postagens normais na próxima semana.

Muito obrigado pela compreensão.

Wilson Hebert.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Futebol Recordação: São Paulo campeão brasileiro de 1977


O Futebol Recordação dessa edição tem a honra de apresentar aos seus leitores o primeiro título do grande bicho papão do futebol brasileiro. O ano de 1977 marcou apenas a primeira das seis conquistas nacionais do São Paulo Futebol Clube. Foi o início da indiscutível trajetória mais vitoriosa do nosso país, quando o assunto é Campeonato Brasileiro.

São Paulo campeão brasileiro de 1977



Para a consagração tricolor neste ano, veio do Internacional o técnico bicampeão brasileiro Rubens Mineli. O time encontrado pelo novo treinador era bem diferente do seu ex-clube, cujo qual encantou o país pelos dois anos anteriores, sendo inclusive campeão em 76 e 75, como visto aqui nesse quadro.

O São Paulo de 77 primava pela garra do volante Chicão (foto) e os gols sempre importantes do atacante Serginho Chulapa. Mas obviamente, não podemos dizer que um time campeão se resumiu a apenas dois jogadores. O Tricolor do Morumbi também tinha outros jogadores importantes como o goleiro Valdir Peres (peça fundamental na final do Braisleirão) e o outro atacante Dario Pereyra.

Fatos curiosos

O Brasileirão de 1977 teve um acontecimento muito peculiar. Time com a melhor campanha disparada durante todo o torneio foi o Atlético-MG, que acabou a competição de forma invicta e foi apenas o vice-campeão, além de ter o artilheiro, Reinaldo com 28 gols. O vice-artilheiro fez dez gols menos. Serginho do São Paulo.

O Botafogo também não teve derrota na sua campanha, porém terminou apenas em quinto.

E como será possível ver mais adiante, foi a primeira vez que tivemos uma decisão por pênaltis no Campeonato Brasileiro.

E não podemos esquecer a farra proporcionada pela Ditadura Militar nos anos 70 se intrometendo na organização do principal campeonato de futebol do Brasil. Para o ano de 77, os militares da política conseguiram aumentar ainda mais o número de participantes. Atingimos o absurdo de termos 62 clubes na disputa.

O campeonato começou no dia 15 de Outubro de 1977 e só foi acabar no ano seguinte, dia 5 de março de 1978.

Regulamento

Na primeira fase, seis grupos. Quatro tinham dez clubes, dois tinham onze. Jogando todos contra todos dentro das chaves, se classificaram para a segunda fase os cinco melhores de cada grupo. O restante dos clubes foi para a sempre presente repescagem.

Os trintas clubes classificados entre os melhores de cada grupo, foram divididos agora em seis grupos de cinco times cada. Os três líderes de cada grupo, avançaram para a terceira fase.

Na repescagem os 32 clubes que não ficaram entre os primeiros na primeira fase também foram divididos em seis grupos, sendo quatro de cinco e dois de seis. Jogando todos contra todos, passava para a terceira fase apenas o líder de cada chave.

Na terceira fase, 24 clubes e uma disputa mais equilibrada e fácil de entender. Mais uma vez os times foram organizados em grupos. Eram quatro tendo seis times cada um. Apenas o campeão de cada chave se classificava, fazendo assim a semifinal.

A semifinal também foi outro fato curioso dessa edição do Campeonato Brasileiro. Nos dois jogos, duas surpresas. Operário-MS e o Londrina chegavam bem longe, mas acabaram sendo eliminados por Atlético-MG e São Paulo.

A grande final: pela primeira vez, decisão por pênaltis.



Foi um jogo realizado no Mineirão (Galo terminou as fases anteriores com melhor campanha) para quase 103 mil pessoas. No embalo da sua fanática torcida, o time mineiro conseguia impor seu futebol envolvente e bem jogado.

O grande temor do time do São Paulo acabou não marcando presença. O artilheiro Reinaldo não disputou a grande final. Mas o Galo tinha outros jogadores como Toninho Cerezo e Ziza. Era um time bom, que pressionou, atacou, mas não conseguiu fazer nenhum gol. Assim como a equipe paulista, que também fez boas jogadas, porém não abriu o placar da final.

Com o 0x0 pela primeira vez o Brasil via uma final por cobrança de penais no Campeonato Brasileiro. Pelo lavo alvinegro, Márcio, Joãozinho Paulista e Toninho Cerezo perderam suas cobranças. Do lado tricolor, apenas Getúlio e Chicão perderam suas cobranças. Com três conversões contra duas, o São Paulo se sagrava campeão brasileiro.

Muita comemoração em pleno Mineirão, mas no dia seguinte, o time foi recebido em São Paulo com muita festa. A torcida são-paulina ficava aliviada, já que o rival Palmeiras não podia mais se dizer único campeão brasileiro do Estado. Disputa essa que ficaria mais acirrada ao longo dos anos.

Dados do jogo final

Atlético-MG 0x0 São Paulo (2x3 Pênaltis)
Local: Mineirão (Belo Horizonte)
Juiz: Arnaldo César Coelho (RJ)
Renda: CR$ 6.857.080,00
Público: 102.974 espectadores

São Paulo



Em pé: Antenor, Tecão, Getúlio, Chicão, Bezerra e Waldir Peres;
Agachados: Viana, Teodoro, Mirandinha, Darío Pereyra e Zé Sérgio.

Atlético-MG: João Leite; Alves, Marcio, Vantuir e Valdemir; Toninho Cerezo, Ângelo e Marcelo (Paulo Isidoro); Serginho, Caio (Joãozinho Paulista) e Ziza
Técnico: Barbatana

Campanha do campeão

O São Paulo não teve a melhor campanha, porém venceu 13 jogos, empatou quatro e perdeu quatro também. Marcou 40 gols e lamentou 15.

Jogadores que fizeram parte da campanha

Goleiro: Toinho e Valdir Peres
Laterais: Antenor e Getúlio
Zagueiros: Bezerra, Estevam, Marinho, Ribas e Tecão
Meio Campistas: Chicão, Dario Pereyra, Neca, Peres, Teodoro, Valtinho e Viana
Atacantes: Marcos, Mickey, Mirandinha, Muller, Serginho, Zequinha e Zé Sérgio
Técnico: Rubens Minelli

Abaixo a foto do Memorial do São Paulo: Luiz Cássio dos Santos Werneck

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Conhecendo a Vizinhança



O Conhecendo a Vizinhança dessa edição vem mais uma vez especial. Temos a honra de apresentar para os leitores o maior torcedor do Lyon no Brasil. Filipe Papini tem o blog mais completo da equipe francesa no Brasil, o BrasiLyonnais, e talvez, um dos mais completos sobre times estrangeiros na parte brasileira da blogosfera.

Um cara autêntico, que leva seu blog muito a sério e sabe bem o que pretende com ele. Isso ficou bem evidenciado na sua entrevista. E ele também é o irmão do nosso entrevistado anterior, Mateus Papini (clique aqui e veja a entrevista de Mateus para o Conhecendo a Vizinhança).

Uma outra qualidade nesse respeitável blogueiro, é seu poder de articulação com as palavras. Tanto é, que antes mesmo de responder a primeira pergunta da nossa entrevista, ele já veio mandando uma mensagem para todos. Confiram:

"A iniciativa de entrevistar outros blogueiros só traz benefícios. Pois além de trazer acessos para o Pitacos do Bodaum, faz os seus leitores conhecerem outros "vizinhos", ou seja, ninguém sai perdendo nessa."

Qual o principal motivo pra você ter criado seu blog? Qual a importância dele para você?

Na verdade antes de criar o blog, eu participava bastante da comunidade do Lyon no Orkut. Com o passar do tempo, eu fui percebendo que eu era um dos membros mais informados sobre o time na comunidade, senão o mais. Além de perceber que eu tinha várias fontes boas e concretas. Logo, os poucos que participavam, ficavam esperando alguma postagem minha sobre determinados assuntos, e assim, acabei criando certa credibilidade por lá.

Até que demorou algum tempo, mas uma hora surgiu uma luz, e resolvi criar algo mais organizado e prazeroso. Além, é claro, acabou sendo uma forma de expandir as notícias do OL, não só no orkut, mas na web como um todo. Com pouco tempo eu fui pegando as malícias do "BLOGGER" e consegui criar um layout legal, com boas funcionalidades. Tive a ajuda de uma amiga minha da faculdade, que já teve diversos blogs, além é claro, dos "vizinhos" parceiros, e o pessoal lá da comunidade do Lyon.

Todos fazem parte desse blog. Juntando toda essa história, o blog acabou se tornando algo muito importante pra mim. Além de ser uma divulgação acadêmica, me fez conhecer diversas pessoas pelo Brasil, e também pelo mundo. Tive um reconhecimento legal por parte do jornalista Lédio Carmona do canal SporTV, que é um leitor do meu blog; Bruno Pessa, colunista do site IG, entre outros.

Contudo, o que venho notando durante todo esse tempo que escrevo no blog, é que acabei me tornando um bom conhecedor do campeonato francês. O que antes eu pouco sabia, agora eu já tenho um conhecimento intermediário, isso é importante pra quem quer trabalhar na área em um futuro próximo.



Quais são os blogueiros em que você se espelha?Por quê?

Vou ser sincero, são poucos. Eu acho que fujo um pouco do modo "blog" de escrever. Não consigo ser superficial, sempre que me atrevo a falar de algo que gosto, vou a fundo, demoro muito a parar. Talvez seja um defeito, mas ainda não recebi críticas sobre isso, muito pelo contrário.

No entanto, talvez todos os leitores do meu blog foram gentis demais para criticar, ou não tiveram coragem... Nunca vou saber ao certo. No mais, os blogueiros que mais me espelho são: Lédio Carmona e Bruno Pessa, ambos já citados por aqui. Além, é claro, do Christian Munaier, colunista do blog do Atlético Mineiro no Globoesporte.com. Tem mais pessoas, mas agora não estou conseguindo lembrar.

Qual o tema você mais gosta de escrever? Quais suas fontes e inspirações para escrever seus textos?

Com certeza eu gosto de escrever mais sobre futebol, é claro. Principalmente competições de nível internacional, como a Champions League, por exemplo. Já tive um blog, juntamente com mais quatro amigos da faculdade, que eu era o encarregado sobre "FUTEBOL INTERNACIONAL", então eu abordava jogo-a-jogo da UCL.

A madrugada ia embora, e lá estava eu escrevendo sobre os jogos. Assistia todos os lances e fazia um bom resumo sobre cada partida da semana, era legal, porém cansativo. Mas dava gosto de ver tudo bem feito no final. (Clique aqui e veja os post de Filipe Papini sobre a Liga dos Campeões 08/09).

Agora, me concentro especificamente no Lyon, to curtindo, e por enquanto não tenho planos de voltar a resumir todas as partidas como fazia anteriormente. A não ser é claro, que surja alguma oportunidade mais profissional ("estagiariamente falando").

As minhas maiores fontes para escrever são os grandes jornalistas esportivos que encontramos por ai, me espelho neles, para que um dia, humildemente eu possa exercer algum cargo similar ao deles. (Mas digo jornalistas de verdade, não enganadores): PVC, Lédio Carmona, André Rizek, Mauro Betting, Lélio Gustavo, Ludovic Milles, Alex Escobar, e toda essa galera boa, que assistimos e ouvimos por ai.

Entre todos os seus posts, você consegue escolher um como aquele que mais te marcou?

Com certeza! Foi o post que fiz sobre o fim da última temporada do Lyon. A postagem foi divulgada na íntegra no Jogo Aberto, blog do Lédio Carmona. Quando vi aquilo, entrei em estado de êxtase. Meus amigos todos me parabenizando. A sensação era de dever cumprido. Fiquei satisfeitíssimo e extremamente agradecido ao Lédio, por colocar meu nome e meu blog entre os seus favoritos em sua coluna. É algo indescritível. (Clique aqui e confira a postagem supracitada do blog Jogo Aberto de Lédio Carmona)

O que você dá mais importância nos blogs? E por quê?

A partir do momento que você topa fazer um blog, acho de fundamental importância que você domine o assunto sobre o qual vai falar. Isso sem citar as fontes, sempre você tem que correr atrás do "novo". A pressa de postar algo não é o primordial, desde que, o que você planeja esteja bem organizado e com todas as informações em sintonia com o leitor. Afinal de contas, você escreve para um blog, não para um telejornal de notícias de última hora.

É legal pensar no leitor como um leigo no assunto, tente dissecar os assuntos específicos de forma clara. Muitas vezes um blog com um ótimo visual, tem um péssimo conteúdo. Quando isso acontece, o leitor não vai demorar para apertar ALT+F4.

Criar métodos para persuadir o internauta é um das armas para o bom funcionamento do blog. Para que isso ocorra, basta unir um bom texto, planejamento gráfico, layout, boas imagens e quem sabe até se sobressair, criando infografias, gráficos e artes visuais. Esse é o segredo para atrair e manter o seu público alvo.

A pergunta que não quer calar e talvez seja curiosidade de todos que já visitaram o BrasiLyonnais. Como nasceu sua paixão pelo Lyon?

Parece bobo, mas surgiu apenas assistindo a um único jogo. Não me lembro com muita clareza. Foi uma partida, bem recente, não tem mais do que três anos. Foi entre Lyon e Bordeaux, provavelmente a final de alguma super copa. Era uma decisão em um único jogo, e o Lyon venceu nos pênaltis. Foi ali que me simpatizei com os jovens Benzema e Ben Arfa. Além do incansável Toulalan. O Juninho eu já conhecia, portanto nem me surpreendi.

A partir deste dia, comecei a escolher o OL em partidas de vídeo game, e em simuladores managers de computador. Comecei a ficar atento nas partidas transmitidas pelo SporTV nos fins de semana, até que descobri a comunidade do time no Orkut. O restante vocês já sabem.

Agora conte para o Conhecendo a Vizinhança, como o BrasiLyonnais está usando essa nova ferramenta que é o Twitter.

O Twitter eu aderi tem pouco tempo. Menos de uma semana para ser mais preciso. Acho que estou em uma fase de conhecimento, talvez seja por ali que vou ver quem de fato se interessa pelas notícias do Lyon. É uma forma de ter um feedback maior dos leitores. O Lédio (pra variar) já deu aquela força pra mim. Vamos ver como vai ser.

A intenção é simples: postar as notícias de uma forma bem simplificada, com um link direcionando ao blog. Se a pessoa que está seguindo se interessar pelo tema, ele clica no link e cai direto no blog, onde a postagem estará maior e mais explicativa.

Em dia de jogos pretendo ir postando algo semelhante aos grandes sites, que fazem uma espécie de "minuto-a-minuto", mas é claro, de forma BEM mais simples, só com lances de grande importância mesmo. Mas de forma alguma o Twitter chega pra substituir o blog. Muito pelo contrário, ele vem pra somar.

Desde que você faz parte da blogosfera, qual a melhor e a pior situação ocorrida em seus blogs e/ou em algum outro blog?

Em relação do BrasiLyonnais nunca tive problema algum, de nenhuma espécie. Porém, naquele meu antigo blog com o pessoal da faculdade, aconteceu uma situação meio chata. Fomos acusados erroneamente de plágio. Até um processo entrou em vigor. Motivo? O cidadão que entrou com a ação ficou com a pulga atrás da orelha ao descobrir que existia um blog com o nome similar ao dele, e com um conteúdo mais completo. Agiu de forma suja, tentando nos persuadir de um modo pitoresco, para arrancar informações pessoais dos membros do nosso blog.

A situação ficou bem chata, familiares ficaram preocupados, nós mesmos ficamos apreensivos, mas por fim (pelo menos por enquanto) não deu em nada, afinal de contas a acusação era falha. A partir de então, todos os envolvidos perderam o tesão de continuar postando, e talvez tenha sido o maior motivo para o blog ter entrado em um hiatus. Desde então tenho muito cuidado com o conteúdo que divulgo, e fico esperto com pessoas que se aproximam com intenções arrojadas. É sempre importante pensar mais de duas vezes ao divulgar informações pessoais para desconhecidos na web.

Liste agora pra gente, os sete melhores blogs em sua opinião.

Jogo Aberto
PVC
Arquibaldos
Terreiro do Galo
Le Blog du Foot
Blog do PP
Futebol, música, etc

Estes são os que eu paro para ler. Mas claro que existem alguns que dou uma passada de vez em quando, como o próprio Pitacos do Bodaum e os blogs do meu irmão. Mas é isso ai, não vou puxar saco não (risos).

Gostaria de agradecer a oportunidade de contar um pouco a história do meu blog, como funciona, o que pretendo e como penso. É legal ter essa abertura para o pessoal descobrir como trabalhamos duro, e na maioria das vezes não há nenhum reconhecimento. Mas o reconhecimento não é o nosso papel. Nosso papel é informar de uma maneira informal. O reconhecimento é um mero presente do esforço no trabalho realizado.

Essa entrevista é dedicada à todos aqueles que contribuíram e ainda contribuem com o desenvolvimento do blog. De forma direta e indireta. Você, jornalista Wilson Hebert, tem uma grande parcela nisso, portanto, os agradecimentos são todos meus.

Um abraço à todos.
Filipe Frossard Papini
http://brasilyonnais.blogspot.com
@BrasiLyonnais